Archive for novembro, 2011

Para entender Clarice …

Inquietude

Uma inquietude toma conta de mim. Eu não posso dormir. Uma falta de qualquer coisa, uma ausência calada, um silêncio frustrante em meus ouvidos. Um grito interno que urge para que eu fique acordada. Que eu acorde mais. Que eu enxergue mais. Que eu abra os olhos. Que eu olhe para dentro de mim.

É sempre da noite mais tácita e quieta que nasce a inquietude. Ela vem aos poucos e cresce rápido e irrompe. E eu vejo. O dia agitado esconde toda a verdade. Esconde a realidade distante do invisível.

Quero ver. Quero saber o que se passa lá dentro. Procuro em desespero algo que não sei o que é. Não sei o que quero encontrar. Não sei onde procurar. Lá dentro é tudo grande e confuso como um labirinto. Eu me perco. O fio de Ariadne não vai me ajudar a fugir do ser estranho que habita em mim. Já é tarde demais. Preciso enfrentá-lo.

Preciso mergulhar mais fundo, mas tenho medo. Nunca fui tão para dentro. Tenho medo de não entender. Lá dentro fala-se outras línguas. Várias línguas incompreensíveis e inaudíveis. Não sei decifrá-las. Ninguém sabe.

Fecho os olhos para enxergar mais. Tento parar de pensar. O que procuro não está em meus pensamentos. Quero sentir. Quero apenas sentir. Algo me aperta forte o peito e na garganta sinto um pranto silencioso e aprisionado que ameaça lavar minha face indiferente. É hora de ir para a cama. Finalmente o sono cansado veio me salvar de mim mesma.