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Bateu Amor à porta da Loucura.

Confronto (Drummond)

Bateu Amor à porta da Loucura.
“Deixa-me entrar – pediu – sou teu irmão.
Só tu me limparás da lama escura
a que me conduziu minha paixão.”

A Loucura desdenha recebê-lo,
sabendo quanto Amor vive de engano,
mas estarrece de surpresa ao vê-lo,
de humano que era, assim tão inumano.

E exclama: “Entra correndo, o pouso é teu.
Mais que ninguém mereces habitar
minha casa infernal, feita de breu,

enquanto me retiro, sem destino,
pois não sei de mais triste desatino
que este mal sem perdão, o mal de amar.”

Poesia

Poesia (Drummond)

Gastei uma hora pensando num verso
que a pena não quer escrever.

No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.

Ele está cá dentro
e não quer sair.

Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.